Telecomunicações deficientes e crise cíclica no fornecimento de energia elétrica são dois fatores que condicionam o desenvolvimento econômico de São Tomé e Príncipe, segundo um estudo a que a Agência Lusa teve acesso.
A constatação está contida num estudo elaborado por uma comissão de especialistas são-tomenses com o patrocínio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
"São Tomé e Príncipe vem observando nos últimos anos um fraco desenvolvimento econômico que resulta de vários fatores endógenos e exógenos. Os estudos feitos concluíram que a falta de energia elétrica constitui um dos impedimentos ao desenvolvimento sustentado das ilhas", afirma o documento.
Por outro lado, adianta que as telecomunicações "ainda não satisfazem as necessidades de um país que necessita de um rápido crescimento para sair da pobreza".
A única empresa de telecomunicações do arquipélago considera, no entanto, que "as comunicações estão a um nível muito satisfatório".
"Ao nível do serviço fixo e do serviço móvel, podemos vangloriar-nos de termos uma das melhores do continente africano", disse à Lusa Emery dAlva, diretor comercial da Companhia São-tomense e Telecomunicações (CST).
O responsável reconhece, no entanto que "o acesso à internet é que é o calcanhar de Aquiles da CST".
"A internet tem uma especificidade. É um serviço que, por não haver produção nacional, o consumo é feito a partir do site do estrangeiro e isso pressupõe uma ligação internacional", que, segundo Emery dAlva, é "muito cara" e pouco rentável para uma população de pouco mais de 150 mil habitantes.
"O satélite é muito caro e só permite larguras de banda muito reduzidas. Portanto, temos que gerir escassez. Até agora não conseguimos encontrar formas de fazer melhor do que temos feito", acrescenta.
Adianta que a CST "só poderá resolver esse problema em 2011 quando for lançado o projeto do cabo submarino".
A reduzida dimensão do mercado tem determinado "a relativa fraqueza da qualidade de desse serviço" e também porque as duas ilhas estão numa zona do continente africano em que "os satélites estão quase todos saturados" agravam o cenário.
"A internet é um serviço deficitário da CST, que gasta mais do que recebe", afirma.
A empresa de telecomunicações tem cerca de 2000 assinantes dos serviços da Internet, 7600 clientes da rede fixa e 55 000 do serviço móvel.
Fonte: UOL
terça-feira, 7 de julho de 2009
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