A terça-feira terminou de forma bastante negativa para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu pelo quarto dia seguido, perdendo importante suporte gráfico na casa dos 49.500 pontos. O dólar subiu forte, se aproximando dos R$ 2. Os contratos de juros futuros voltaram a apontar para baixo.
Não houve gatilho específico para tal virada de humor. O sentimento foi se deteriorando ao longo do dia, com os agentes mantendo a descrença na recuperação econômica e adotando uma posição mais defensiva antes da divulgação de resultados trimestrais. Hoje, a Alcoa dá a largada na temporada de balanços do segundo trimestre entre as empresas que compõem o Dow Jones.
Entre as commodities, o petróleo marcou novo pregão de baixa, fechando abaixo dos US$ 63 o barril de WTI pela primeira vez em seis semanas. Além da descrença na economia, a venda pode ser atribuída à iniciativa da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), órgão regulador americano, que prepara um pacote para limitar a especulação nesse mercado. A CFTC anunciou que vai convocar audiências públicas para discutir as propostas durante julho e agosto.
Na Bovespa, a última meia de pregão concentrou as vendas e o resultado foi a maior perda diária em 15 dias, que arrastou o Ibovespa de volta para preço não observado desde 15 de maio. Ao final da terça-feira, o Ibovespa diminuiu 2,30%, para 49.456 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,44 bilhões.
Sinalizando a saída de investidores estrangeiros, Vale PNA afundou mais de 5%, com R$ 825 milhões em negócios. Petrobras também caiu forte, assim com siderúrgicas e bancos.
O gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, comenta que os ativos brasileiros refletiram a degradação de perspectivas no cenário externo. " O mercado vive de projetar o futuro e quando ele começa a ficar incerto o que prevalece é a venda " , afirma.
De acordo com Machado, o índice americano S & P 500 rompeu importante limite técnico ontem, piorando a expectativa para os próximos dias.
Pela análise gráfica, diz o especialista, há formação de uma figura conhecida como " ombro - cabeça - ombro " , que, caso confirmada, pode derrubar o indicador americano de volta para a casa dos 800 pontos. Hoje, o índice fechou aos 881 pontos, queda de 1,97%.
Machado alerta que tal formação gráfica também é observada no Ibovespa, que, no caso de novas perdas, tenderia a cair para a faixa de 44 mil/45 mil pontos. " O fechamento foi muito ruim e deixa o cenário feio para os próximos dias " , avalia.
No câmbio, o dólar comercial voltou a ganhar valor contra o real, testando preços não observados em mais de três semanas. A moeda registrou o quarto dia seguido de alta, maior sequência de valorização desde janeiro.
Depois de cair a R$ 1,946 na mínima da manhã, os agentes viraram a mão e passaram a comprar dólares conforme o pessimismo externo se agravava. Ao final do dia, a moeda americana era negociada a R$ 1,991 na compra e R$ 1,993 na venda, elevação de 1,63%.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa marcou alta de 1,58%, para R$ 1,992. O giro financeiro somou US$ 155,75 milhões. No interbancário, o volume foi de US$ 1,09 bilhão.
Segundo o gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, o que explica a grande oscilação e a forte alta no preço é o que se chama de " stop de posição " , ou seja, bancos e investidores estrangeiros que estavam vendidos resolveram reverter ou zerar essas apostas. Tal movimentação teve como gatilho a forte piora de sentimento externo, onde bolsas e commodities marcaram mais um pregão de baixa.
" Não acho que seja tendência, mas essas puxadas de alta não são anormais, dadas as posições vendidas que existiam " , explica.
Ainda de acordo com Knauer, o mercado trabalhava com uma expectativa de fluxo de recursos que pode não se confirmar. Hoje, por exemplo, era esperada a entrada de dinheiro para a liquidação da oferta de ações da BRMalls, operação que movimentou R$ 835 milhões.
Para o especialista, um fator pontual também influencia o mercado. Quinta-feira é feriado em São Paulo, o que mantém os mercados inoperantes. Por essa razão, os ajustes de posições da semana começam a ser antecipados.
Knauer também chama a atenção para o aumento na oscilação de preço intradia do dólar, movimento que atrai aqueles investidores que operam volatilidade. Segundo o gerente, para quem faz esse tipo de negócio o preço do ativo não é importante, mas sim o quanto ele varia a cada dia. E a presença desse tipo de investidor acaba se tornando um fator perpetuador da instabilidade.
No mercado de juros futuros, o volume ganhou corpo depois de um começo de semana bastante tímido. O viés de baixa foi mantido, já que o pessimismo externo e a inflação doméstica sob controle estimulam a abertura de novas posições vendidas.
Ao final do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, mais líquido da sessão, apontava baixa de 0,07 ponto, para 9,79%. O vencimento para janeiro de 2012 cedeu 0,06 ponto, a 10,90%. Destoando, janeiro de 2013 projetava 11,61%, valorização de 0,02 ponto.
Entre os contratos curtos, janeiro de 2010 declinou 0,02 ponto, a 8,72%. Agosto de 2009 perdeu 0,01 ponto, a 8,95%. Na contramão, setembro de 2009 subiu 0,01 ponto, para 8,83%. Já outubro de 2009 caiu 0,02 ponto, a 8,77%.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 388.245 contratos, equivalentes a R$ 34,21 bilhões (US$ 17,35 bilhões), o dobro do registrado no pregão anterior, quando o volume foi o menor desde 25 de maio, dia de feriado em Wall Street. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 145.885 contratos, equivalentes a R$ 12,69 bilhões (US$ 6,43 bilhões).
Fonte: (Eduardo Campos | Valor Online)
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